quarta-feira, 27 de novembro de 2013
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
ES: Militares impedidos de participar de manifestação nesta quarta (13)
ES: Militares impedidos de participar de manifestação nesta quarta (13)
DO JORNAL ES HOJE
Militares capixabas se dizem “censurados” após comunicado do comando geral do Corpo de Bombeiros Militar, que proibia os integrantes do órgão de participarem de qualquer ato público contra o governo do Estado sem aviso prévio aos superiores. A ordem foi emitida horas antes do protesto marcado para às 16h, desta quarta-feira (13).
“Mesmo sabendo que a Constituição Federal ampara o direito de manifestar pacificamente, sem uso de armas e previamente avisado, os militares sentiram receio de participar diante da ameaça militaresca”, lamenta capitão da PMES, Assunção. Ele se identificou como um dos organizadores do ato.
Policiais e bombeiros militares, acompanhados de familiares, marcaram a concentração na Praça do Papa, na Enseada do Suá. Do local, iriam seguir em marcha até a Praça do Pedágio da Terceira Ponte, onde seria realizada uma panfletagem para reivindicar realinhamento salarial das Polícias Civil e Militar e do Corpo de Bombeiros. O grupo não pretendia interditar vias.
PM faz operação padrão nas ruas e delegacias correm risco de ficarem lotadas
Como forma de protestar contra a situação da segurança pública capixaba, a partir da próxima segunda-feira (18), os policiais militares vão intensificar os trabalhos pelas ruas do estado. A data coincide com o início da greve da polícia civil. As operações ostensivas combinadas a falta de profissionais nas delegacias pode gerar o acúmulo de ocorrências e até mesmo a liberação de suspeitos de crimes.
Os policiais civis decidiram pela greve geral, após uma assembleia realizada na manhã de segunda-feira (11). A justificativa do Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo (Sindipol-ES) é a estagnação das negociações para a modernização do órgão.
Capital Assumção disse que a PM faz o trabalho ostensivo, ou seja, é responsável pela detenção dos acusados e encaminhá-los para a polícia civil que é quem investiga, recebe as ocorrências e gera o processo para condenação ou não do acusado. “Sem a polícia civil não há segurança pública é como cortá-la ao meio”, disse ele.
Nesse período, o que pode acontecer é o acúmulo de ocorrências e suspeitos de realizar crimes durante a greve podem ficar soltos, uma vez que não haverá ninguém para registrar boletim na delegacia.
“Por exemplo, uma pessoa matou a outra e se entregou até o período de 24 horas, que é o tempo máximo para a realização do flagrante. Os militares levam o homicida para a delegacia, mas ele pode acabar liberado, porque não tem quem faça a ocorrência. A PM não pode levar essa pessoa para o quartel, porque caracteriza cárcere privado”, explica Assumção.
Do mesmo jeito que a greve, a operação padrão acontece por tempo indeterminado.
FONTE - ES HOJE
***
FALA ALMANÇA: Lamentável a atitude deste comandante que reforçou a certeza que temos, de que está a serviço de um governo e não da sociedade, e por ele estão dispostos a tudo, inclusive a manchar sua própria biografia pessoal.
Esta ordem do Comandante Geral do Corpo do Bombeiros do Espírito Santo (a reportagem não citou, mas nós vamos citar o seu nome e foto), Coreonel Edmilton Ribeiro Aguiar Junior é um verdadeiro absurdo.
A quantidade de cursos e medalhas desse oficial (veja fixa deste oficial aqui) não foram suficientes para ele entender que a manifestação é um direito de todo cidadão brasileiro. Ou militar não é cidadão? Esse tipo de ameaça é uma vergonha! Demonstra a atitude ditatorial desde governo, que graças a Deus, terminará em 31 de dezembro de 2014.
Sr. Comandante, se V. Sa. não quer os bombeiros na rua, então avise ao Governador pra ele cumprir o acordo firmado e realinhar os salários dos militares estaduais.
Infelizmente o sr. conviverá com essa mancha em sua passagem pelo Comando Geral dos Bombeiros de tentar cercear os bombeiros capixabas a lutarem por dignidade. Será esquecido por este mesmo governo e mais ainda por seus subordinados.
Almança
Deputado Major Fábio adverte: "Policiais ameaçam 'relaxar' segurança na Copa"
Deputado Major Fábio adverte: "Policiais ameaçam 'relaxar' segurança na Copa"
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
Tenente-coronel é flagrado tentando furar blitz da Lei Seca em Vitória
Um tenente-coronel da PM foi flagrado tentando furar uma blitz da Lei Seca, na Avenida Nossa Senhora da Penha, em Vitória. Um dos policiais que abordaram o militar registrou o momento. A TV Gazeta teve acesso, com exclusividade, às imagens da blitz e também às gravações do Centro Integrado Operacional Defesa Social (Ciodes), que mostram uma ordem para cancelar a ocorrência do sistema. O caso aconteceu no dia 13 de outubro e está sendo investigado pela própria polícia.
Nas imagens, o motorista questiona aos soldados: "Você sabe que eu sou coronel da polícia, né? Vocês querem me ferrar?".Segundo policiais militares, o tenente-coronel não estava cumprindo serviço, tinha acabado de sair do estacionamento de um boate e foi abordado. Eles suspeitaram que ele estivesse embriagado e solicitaram a documentação, que foi negada. Minutos depois da abordagem, o responsável pela blitz ligou para o Ciodes.
No áudio, o diálogo aponta que o tenente-coronel deixou o local da blitz e uma ocorrência feita contra ele acabou sendo cancelada por determinação de um major da Polícia Militar. Na primeira ligação, o responsável pela blitz falou com um oficial no Ciodes, que o orientou a ligar para o comandante do batalhão. Às 6h, um dos soldados que abordou o tenente-coronel também ligou para a central da polícia e registrou a ocorrência, mas, oito minutos depois, ela foi cancelada pelo mesmo soldado.
O tenente-coronel, identificado apenas por Dirceu, é assessor jurídico do comandante geral da Polícia Militar, um cargo de confiança. Depois de se negar a passar pela fiscalização, ele foi ao Ministério Público do Espírito Santo (MP-ES) e denunciou os policiais que o abordou e alegou que foi humilhado.
O procurador do MP-ES Sócrates de Souza informou que a Corregedoria da Polícia Militar deveria ter sido acionada e que o tenente-coronel agiu errado. "A sensação que fica é de que ele está acima da lei e exerce a hierarquia sobre seus subordinados. O MP entende que a corregedoria deveria ser acionada. O comandante do batalhão deve prestar esclarecimentos sobre o cancelamento da ocorrência. Se fosse o inverso, o soldado estaria preso. Isso mancha a imagem da instituição", disse.
O delegado de trânsito Fabiano Contarato analisou a situação e disse que o militar pode responder por três crimes. “Houve o crime de resistência, pois ele se opôs a um ato legal que era a blitz, por crime de desacato, já que é possível ocorrer crime de desacato entre funcionários públicos mesmo se o desacatado foi inferior hierárquico, e ainda o crime de denunciação caluniosa, pois o tenente foi até a auditoria da Polícia Militar para denunciar os policiais que o abordaram sabendo que eram inocentes", falou.
O chefe da corregedoria da PM, o coronel Celante, informou que foi instaurado um inquérito policial para apurar os fatos. “Há vários relatos e vamos juntar todos para saber o que aconteceu. Quanto ao cancelamento, garantimos que tudo será investigado. Não sei em que circunstâncias ela foi cancelada e por ordem de quem. Com a conclusão, o documento é repassado ao MP, que vai verificar as provas e ver se há caso de indiciamento. Se for comprovado, os envolvidos podem responder por crime de natureza militar ou comum", comentou.
VIDEO:
Leia os diálogos registrados pelo Ciodes
Policial: O tenente-coronel parou na fiscalização, parou não né, abordaram ele. Tenente-coronel Dirceu.Major: Coronel Dirceu? Tô sabendo não, fala aonde foi isso?
Policial: Foi na Reta da Penha saindo da boate São Firmino. O sargento pediu a identificação dele, e ele só entregou a carteira de polícia. Aí o sargento devolveu a carteira para ele. Ele pegou o carro e foi embora, chapadão e não parou nem nada, deixou até os amigos para trás. Aí eu pedi para ele lançar no relatório dele e eu no meu relatório, se ele inverter a situação depois de bom é complicado.
Major: Qual foi a irregularidade que aconteceu?
Policial: O sargento pediu o documento do carro e a habilitação, mas o coronel entregou a identidade e falou que ele era coronel e que estava, tipo assim, como ele é da corporação ele não deveria ter sido parado, a partir do momento que ele falou que era coronel. O sargento falou que a gente estava na fiscalização e que a determinação era abordar todos os condutores que passarem por aqui, 'o senhor passou, pedi o documento e você me entregou só a identidade'.
Major: Eu oriento a você, ligar para seu subcomando ou comandante do batalhão, pegar a orientação com eles. Por que para eu comunicar aqui, não tem nem ocorrência, não tem nada, fica complicado. Aqui eu vou fazer uma CI tal, ligar para corregedoria e tudo mais. Acho que o batalhão tem como administrar essa situação da melhor maneira possível entendeu?
Policial: estou ligando para cancelar o número de uma ocorrência que eu gerei.
Ciodes: qual motivo?
Policial: foi uma ocorrência de abordagem que eu pedi para gerar.
Ciodes: mas por que você quer cancelar?
Policial: foi um determinação do major aqui que não há necessidade de ser gerado essa ocorrência.
Ciodes: foi qual major?
Policial: major Bongestab
Ciodes: ah tá. Então cancelar a ocorrência por determinação dele por achar que não deveria ter sido gerada né?
Policial: é
Fonte: ESTV
Cabo é punido por não liberar veículo de mulher de coronel em abordagem no trânsito
Mulher dirigia com criança de três anos no colo e sem cinto. Cabo foi transferido para Linhares
Mulher de coronel dirigia com criança de três anos no colo
Ainda de acordo com os documentos, o cabo e um soldado foram até a localidade de Palmeiras, em Guarapari, para recolher um carro que estava abandonado há mais de 15 dias. No caminho, se depararam com um Fusca conduzido por uma mulher e fizeram a abordagem padrão. Ela não portava documentos do veículo e nem pessoal, transportava três crianças menores de idade soltas no carro - com uma de aproximadamente 3 anos em seu colo. A mulher e as crianças não usavam cinto de segurança, além do veículo não estar licenciado.
Durante a autuação, um senhor chegou no local de bermuda e camisa gola polo, como frisa o documento, em um carro oficial. O homem questionou o que estava acontecendo, e após ouvir a resposta do cabo, retornou ao veículo e pegou uma identidade militar e se apresentou ao policial como sendo o coronel Henrique Grecco.
O praça, relata o documento, se portou militarmente ao coronel, que em seguida buscou o celular no carro e ligou para para o tenente-coronel Walace Brandão, então comandante do Batalhão da Polícia Rodoviária (BPRv), solicitando que o veículo fosse liberado do local, ao qual havia sido acionado o guincho para recolhimento em pátio e os procedimentos administrativos.
Ainda de acordo com os documentos, o cabo e um soldado foram até a localidade de Palmeiras, em Guarapari, para recolher um carro que estava abandonado há mais de 15 dias. No caminho, se depararam com um Fusca conduzido por uma mulher e fizeram a abordagem padrão. Ela não portava documentos do veículo e nem pessoal, transportava três crianças menores de idade soltas no carro - com uma de aproximadamente 3 anos em seu colo. A mulher e as crianças não usavam cinto de segurança, além do veículo não estar licenciado.
Durante a autuação, um senhor chegou no local de bermuda e camisa gola polo, como frisa o documento, em um carro oficial. O homem questionou o que estava acontecendo, e após ouvir a resposta do cabo, retornou ao veículo e pegou uma identidade militar e se apresentou ao policial como sendo o coronel Henrique Grecco.
O praça, relata o documento, se portou militarmente ao coronel, que em seguida buscou o celular no carro e ligou para para o tenente-coronel Walace Brandão, então comandante do Batalhão da Polícia Rodoviária (BPRv), solicitando que o veículo fosse liberado do local, ao qual havia sido acionado o guincho para recolhimento em pátio e os procedimentos administrativos.
Foto: Reprodução
Tenente-coronel Walace Brandão garante que não deu ordem para liberar veículo
O documento relata que os militares do BPRv escutaram a conversa e entenderam que o tenente-coronel não teria liberado o veículo. Nesse momento, o coronel Henrique se dirigiu à sua esposa, a condutora do veículo, e determinou que ela retirasse o Fusca apreendido pelos militares daquele local. O cabo perguntou se esta seria uma determinação, e o mesmo afirmou que sim, e que poderia anotar as providências devidas que ele estava indo embora.
Tenente-coronel nega
Procurado pela reportagem, o então comandante do Batalhão de Trânsito, tenente-coronel Walace Brandão, não quis comentar o ocorrido para não atrapalhar as investigações do caso, que ainda está sendo apurado pela Corregedoria da Polícia Militar. Mas garantiu que não liberou a esposa do coronel Henrique Grecco, para não ferir a lei. “Não liberei. Garanto isso. Para não ferir a legislação. E sei que isso gerou uma série de consequências”, resumiu Walace Brandão.
Desdobramentos
Dias após o ocorrido, o coronel Henrique foi promovido ao Comando e Policiamento Ostensivo Especializado. O cabo, com 16 anos de Batalhão de Trânsito, foi transferido para o interior de Linhares, para o policiamento comum.
Procurado pela reportagem para falar sobre o caso, o presidente da Associação de Cabos e Soldados do Espírito Santo, Cabo Flávio Gava, confirmou a história e afirmou que as denúncias de abusos de poder por parte de altas patentes são frequentes.
A Polícia Militar foi procurada para se pronunciar sobre o caso, mas a assessoria de comunicação informou que a PM só vai se manifestar quando o inquérito for concluído.
Tenente-coronel nega
Procurado pela reportagem, o então comandante do Batalhão de Trânsito, tenente-coronel Walace Brandão, não quis comentar o ocorrido para não atrapalhar as investigações do caso, que ainda está sendo apurado pela Corregedoria da Polícia Militar. Mas garantiu que não liberou a esposa do coronel Henrique Grecco, para não ferir a lei. “Não liberei. Garanto isso. Para não ferir a legislação. E sei que isso gerou uma série de consequências”, resumiu Walace Brandão.
Desdobramentos
Dias após o ocorrido, o coronel Henrique foi promovido ao Comando e Policiamento Ostensivo Especializado. O cabo, com 16 anos de Batalhão de Trânsito, foi transferido para o interior de Linhares, para o policiamento comum.
Procurado pela reportagem para falar sobre o caso, o presidente da Associação de Cabos e Soldados do Espírito Santo, Cabo Flávio Gava, confirmou a história e afirmou que as denúncias de abusos de poder por parte de altas patentes são frequentes.
A Polícia Militar foi procurada para se pronunciar sobre o caso, mas a assessoria de comunicação informou que a PM só vai se manifestar quando o inquérito for concluído.
Fonte: A Gazeta - Cidade
sábado, 26 de outubro de 2013
Luiz Eduardo Soares: "O Brasil tem que acabar com as PMs"
Uma das maiores autoridades do País em segurança pública, o professor diz que a transição democrática precisa chegar à polícia
“A massa policial está insatisfeita. Mais de 70% das polícias consideram o modelo atual equivocado”, diz ele
Doutor em antropologia, filosofia e ciências políticas, além de professor e autor de 20 livros, Luiz Eduardo Soares é conhecido, mesmo, por duas obras: “A Elite da Tropa 1 e 2”, que inspiraram dois dos maiores sucessos de bilheteria do cinema nacional: “Tropa de Elite 1 e 2”. Considerado um dos maiores especialistas brasileiros em segurança, Soares, 59 anos, travou polêmicas em suas experiências na administração pública. Foi coordenador estadual de Segurança, Justiça e Cidadania do Rio de Janeiro entre 1999 e 2000, no governo Antony Garotinho, e Secretário Nacional de Segurança do governo Lula, em 2003. Bateu de frente com os dois e foi demitido. Nos últimos 15 anos, dedicou-se, junto com outros cientistas sociais, à elaboração de um projeto para modificar a arquitetura institucional da segurança pública brasileira, que, no entender do professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), passa necessariamente pela desmilitarização das polícias e o fim da PM – como gritam manifestantes em passeatas. O trabalho virou a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 51, apresentada no Congresso Nacional pelo senador Lindbergh Faria (PT-RJ).

"A PM vê o manifestante como inimigo. Para a grande massa, a
polícia tem um comportamento abusivo, violador, racista, brutal”

“A resistência de Geraldo Alckmin em enfrentar a brutalidade letal da
polícia está no coração da dinâmica terrível de ascensão do PCC"
"A PM vê o manifestante como inimigo. Para a grande massa, a polícia tem um comportamento abusivo, violador, racista, brutal”
Por que o sr. defende a desmilitarização da polícia?
LUIZ EDUARDO SOARES -
Porque já passou da hora de estender a transição democrática à segurança pública. A Polícia Militar é mais do que uma herança da ditadura, é a pata da ditadura plantada com suas garras no coração da democracia. A polícia é uma instituição central para a democracia. E é preciso que haja um projeto democrático de reforma das polícias comprometido com o novo Brasil, com a nova etapa que a sociedade está vivendo. O Brasil tem que acabar com as PMs.
Deixar de ser militar torna a polícia mais democrática?
LUIZ EDUARDO SOARES -
A cultura militar é muito problemática para a democracia porque ela traz consigo a ideia da guerra e do inimigo. A polícia, por definição, não faz a guerra e não defende a soberania nacional. O novo modelo de polícia tem que defender a cidadania e garantir direitos, impedindo que haja violações às leis. Ao atender à cidadania, a polícia se torna democrática.
Mas o comportamento da polícia seria diferente nas manifestações se a polícia não fosse militar?
LUIZ EDUARDO SOARES -
Se a concepção policial não fosse a guerra, teríamos mais chances. Assim como a PM vê o manifestante como inimigo, a população vê o braço policial do Estado que lhe é mais próximo, porque está na esquina da sua casa, como grande fonte de ameaça. Então, esse colapso da representação política nas ruas não tem a ver apenas com corrupção política nem com incompetência política ou falta de compromisso dos políticos e autoridades com as grandes causas sociais. Tem a ver também com o cinismo que impera lá na base da relação do Estado com a sociedade, que se dá pelo policial uniformizado na esquina. É a face mais tangível do Estado para a grande massa da população e, em geral, tem um comportamento abusivo, violador, racista, preconceituoso, brutal.
Mas no confronto com traficantes, por exemplo, o policial se vê no meio de uma guerra, não é?
LUIZ EDUARDO SOARES -
Correto. Mas esses combates bélicos correspondem a 1% das ações policiais no Brasil. Não se pode organizar 99% de atividades para atender a 1% das ações.
Como desmilitarizar uma instituição de 200 anos, como a PM do Rio?
LUIZ EDUARDO SOARES -
Setenta por cento dos soldados, cabos, sargentos e subtenentes querem a desmilitarização e a mudança de modelo. Entre os oficiais, o placar é mais apertado: 54%. Mas a desmilitarização não é instantânea. Precisa de um prazo que vai de cinco a seis anos e que depois pode se estender. É um processo muito longo, que exige muita cautela, evitando precipitações e preservando direitos.
Como poderia ser organizada uma nova polícia?
LUIZ EDUARDO SOARES -
Os Estados é que vão decidir que tipos de polícia vão formar. A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 51 define dois critérios de organização: territorial e de tipo criminal. Isso porque a realidade do Brasil é muito diversa. O melhor modelo policial para o Amazonas não precisa ser o do Rio. São realidades demográficas, sociológicas, topográficas e geográficas distintas.
Como funcionaria o modelo territorial?
LUIZ EDUARDO SOARES -
Seriam corporações com circunscrição dentro dos municípios, regiões metropolitanas, distritos e o próprio Estado. Poderíamos ter polícia municipal ou na capital, o Estado é que definirá. São Paulo, por exemplo, tem tantas regiões distintas, com características diversas, que poderia ter várias polícias. Essa seria uma possibilidade. Muitos países têm polícias pequenas a partir de certas circunscrições. Então poderíamos ter desde uma polícia só, porque a unificação das polícias é possível, até várias dentro do mesmo Estado.
E o tipo criminal?
LUIZ EDUARDO SOARES -
Teríamos uma polícia só para crime organizado, outra só para delitos de pequeno potencial ofensivo. Mas todas são polícias de ciclo completo, fazem investigação e trabalho ostensivo. Poderia ter polícia esta-dual unificada para delitos mais graves, que não envolvam crime organizado. E pode ter uma polícia pequena só para crime organizado, como se fosse uma Polícia Federal do Estado. São muitas possibilidades.
Como fica a União?
LUIZ EDUARDO SOARES -
Poderia ter atuação destacada na educação policial. No Rio, para ingressar na UPP o policial é treinado em um mês. Em outros Estados, são oito meses. O Brasil é uma babel. Tem algo errado. Tem que ter regras básicas universais. Na polícia, a bagunça, a desordem e a irresponsabilidade nacional, consagradas nesse modelo, são de tal ordem que formamos policiais em um mês, que têm o mesmo título de outro profissional formado em um ano. É necessário que haja um Conselho Federal de Educação Policial, como existe Conselho Federal de Educação. E o Conselho tinha que estar subordinado ao Ministério da Educação, não no da Justiça.
Os policiais foram consultados sobre esses novos modelos?
LUIZ EDUARDO SOARES -
Fiz uma pesquisa sobre opinião policial, junto com os cientistas sociais Silvia Ramos e Marcos Rolim. Ouvimos 64.120 profissionais da segurança pública no Brasil todo. Policiais, guardas municipais, agentes penitenciários. A massa policial está insatisfeita, se sente alvo de discriminação, de preconceito, recebe salários indignos, se sente abusada, sente os direitos humanos desrespeitados. Mais de 70% de todas as polícias consideram esse modelo policial completamente equivocado, um obstáculo à eficiência. E os militares se sentem agredidos, humilhados, maltratados pelos oficiais. Acham que os regimentos disciplinares são inconstitucionais. Pode-se prender sem que haja direito à defesa, até por um coturno sujo!
Mas isso não ajuda a manter a disciplina?
LUIZ EDUARDO SOARES -
De jeito nenhum. Mesmo com toda essa arbitrariedade não se evita a corrupção e a brutalidade. Estamos no pior dos mundos: policiais maltratados, mal pagos, se sentindo desrespeitados, não funcionando bem. E a população se sentindo mal com essa problemática toda. E os números são absurdos: 50 mil homicídios dolosos por ano e, desses, em média, apenas 8% de casos desvendados com sucesso. Ou seja: 92% dos crimes mais graves não são nem sequer investigados.
É o país da impunidade?
LUIZ EDUARDO SOARES -
Somente em relação ao homicídio doloso. Estamos longe de ser o país da impunidade. O Brasil tem a quarta população carcerária do mundo. Temos 550 mil presos, eram 140 mil em 1995.
O que mais é necessário para democratizar a segurança pública?
LUIZ EDUARDO SOARES -
Precisamos de uma polícia de ciclo completo, que faça o patrulhamento ostensivo e o trabalho investigativo. Hoje temos duas polícias (civil e militar), e cada uma faz metade do serviço. Nosso modelo policial é uma invenção brasileira que não deu certo. Até porque quando você vai à rua só para prender no flagrante, talvez esteja perdendo o mais importante. Pega o peixe pequeno e perde o tubarão. Tem que ter integração. O policiamento ostensivo e a investigação se complementam.
O que mais é importante?
LUIZ EDUARDO SOARES -
É fundamental o estabelecimento de carreira única. Em qualquer polícia do mundo, se você entra na porteira pode vir a comandar a instituição, menos no Brasil. Hoje temos nas instituições estaduais quatro polícias de verdade. Na PM são os praças e oficiais. Na civil, delegados e agentes. São mundos à parte. Você nunca vai ascender, mesmo que faça o melhor trabalho do mundo, sendo praça. Mas para quem entra na Escola de Oficiais, o céu é o limite. Isso gera animosidades internas. Isso separa, gera hostilidade. E esse modelo tem que acabar na polícia. Isso é o pleito da massa policial.
O sr. foi secretário de Segurança e não fez as reformas. Por quê?
LUIZ EDUARDO SOARES -
Por causa da camisa de força constitucional. Não podíamos mudar as polícias. Mas dentro dos arranjos possíveis fizemos o projeto das Delegacias Legais, que é uma das únicas políticas públicas do Brasil a atravessar governos de adversários políticos. São 15 anos desse projeto, apesar da resistência monstruosa que enfrentei. Fui demitido pelo (Anthony) Garotinho porque entrei em confronto com a banda podre da polícia. Após minha queda, policiais festejavam e o novo chefe de polícia dizia: agora estamos livres para trabalhar. Foi uma explosão de autos de resistência.
O crescimento do PCC se deve ao modelo policial vigente?
LUIZ EDUARDO SOARES -
Acho que a resistência do governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) em enfrentar a brutalidade letal da polícia, sua dificuldade em enfrentar a banda podre, de confrontar a máquina de morte, com a bênção de setores da Justiça e do Ministério Público, está no coração da dinâmica terrível de ascensão do PCC. Durante os primeiros anos, o PCC foi um instrumento de defesa dos presos, de organização que falava em nome da legalidade que era desrespeitada pelo Estado. Depois se dissociou das finalidades iniciais. Como já existia como máquina, poderia servir a outros propósitos, inclusive criminais. E foi o que começou a acontecer. O PCC deixou de ser instrumento de defesa para ser de ataque. Aí eles começaram a funcionar como uma organização criminosa.
FONTE - ISTOÉ
“A massa policial está insatisfeita. Mais de 70% das polícias consideram o modelo atual equivocado”, diz ele
Doutor em antropologia, filosofia e ciências políticas, além de professor e autor de 20 livros, Luiz Eduardo Soares é conhecido, mesmo, por duas obras: “A Elite da Tropa 1 e 2”, que inspiraram dois dos maiores sucessos de bilheteria do cinema nacional: “Tropa de Elite 1 e 2”. Considerado um dos maiores especialistas brasileiros em segurança, Soares, 59 anos, travou polêmicas em suas experiências na administração pública. Foi coordenador estadual de Segurança, Justiça e Cidadania do Rio de Janeiro entre 1999 e 2000, no governo Antony Garotinho, e Secretário Nacional de Segurança do governo Lula, em 2003. Bateu de frente com os dois e foi demitido. Nos últimos 15 anos, dedicou-se, junto com outros cientistas sociais, à elaboração de um projeto para modificar a arquitetura institucional da segurança pública brasileira, que, no entender do professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), passa necessariamente pela desmilitarização das polícias e o fim da PM – como gritam manifestantes em passeatas. O trabalho virou a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 51, apresentada no Congresso Nacional pelo senador Lindbergh Faria (PT-RJ).
"A PM vê o manifestante como inimigo. Para a grande massa, a
polícia tem um comportamento abusivo, violador, racista, brutal”
“A resistência de Geraldo Alckmin em enfrentar a brutalidade letal da
polícia está no coração da dinâmica terrível de ascensão do PCC"
"A PM vê o manifestante como inimigo. Para a grande massa, a polícia tem um comportamento abusivo, violador, racista, brutal”
Por que o sr. defende a desmilitarização da polícia?
LUIZ EDUARDO SOARES -
Porque já passou da hora de estender a transição democrática à segurança pública. A Polícia Militar é mais do que uma herança da ditadura, é a pata da ditadura plantada com suas garras no coração da democracia. A polícia é uma instituição central para a democracia. E é preciso que haja um projeto democrático de reforma das polícias comprometido com o novo Brasil, com a nova etapa que a sociedade está vivendo. O Brasil tem que acabar com as PMs.
Deixar de ser militar torna a polícia mais democrática?
LUIZ EDUARDO SOARES -
A cultura militar é muito problemática para a democracia porque ela traz consigo a ideia da guerra e do inimigo. A polícia, por definição, não faz a guerra e não defende a soberania nacional. O novo modelo de polícia tem que defender a cidadania e garantir direitos, impedindo que haja violações às leis. Ao atender à cidadania, a polícia se torna democrática.
Mas o comportamento da polícia seria diferente nas manifestações se a polícia não fosse militar?
LUIZ EDUARDO SOARES -
Se a concepção policial não fosse a guerra, teríamos mais chances. Assim como a PM vê o manifestante como inimigo, a população vê o braço policial do Estado que lhe é mais próximo, porque está na esquina da sua casa, como grande fonte de ameaça. Então, esse colapso da representação política nas ruas não tem a ver apenas com corrupção política nem com incompetência política ou falta de compromisso dos políticos e autoridades com as grandes causas sociais. Tem a ver também com o cinismo que impera lá na base da relação do Estado com a sociedade, que se dá pelo policial uniformizado na esquina. É a face mais tangível do Estado para a grande massa da população e, em geral, tem um comportamento abusivo, violador, racista, preconceituoso, brutal.
Mas no confronto com traficantes, por exemplo, o policial se vê no meio de uma guerra, não é?
LUIZ EDUARDO SOARES -
Correto. Mas esses combates bélicos correspondem a 1% das ações policiais no Brasil. Não se pode organizar 99% de atividades para atender a 1% das ações.
Como desmilitarizar uma instituição de 200 anos, como a PM do Rio?
LUIZ EDUARDO SOARES -
Setenta por cento dos soldados, cabos, sargentos e subtenentes querem a desmilitarização e a mudança de modelo. Entre os oficiais, o placar é mais apertado: 54%. Mas a desmilitarização não é instantânea. Precisa de um prazo que vai de cinco a seis anos e que depois pode se estender. É um processo muito longo, que exige muita cautela, evitando precipitações e preservando direitos.
Como poderia ser organizada uma nova polícia?
LUIZ EDUARDO SOARES -
Os Estados é que vão decidir que tipos de polícia vão formar. A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 51 define dois critérios de organização: territorial e de tipo criminal. Isso porque a realidade do Brasil é muito diversa. O melhor modelo policial para o Amazonas não precisa ser o do Rio. São realidades demográficas, sociológicas, topográficas e geográficas distintas.
Como funcionaria o modelo territorial?
LUIZ EDUARDO SOARES -
Seriam corporações com circunscrição dentro dos municípios, regiões metropolitanas, distritos e o próprio Estado. Poderíamos ter polícia municipal ou na capital, o Estado é que definirá. São Paulo, por exemplo, tem tantas regiões distintas, com características diversas, que poderia ter várias polícias. Essa seria uma possibilidade. Muitos países têm polícias pequenas a partir de certas circunscrições. Então poderíamos ter desde uma polícia só, porque a unificação das polícias é possível, até várias dentro do mesmo Estado.
E o tipo criminal?
LUIZ EDUARDO SOARES -
Teríamos uma polícia só para crime organizado, outra só para delitos de pequeno potencial ofensivo. Mas todas são polícias de ciclo completo, fazem investigação e trabalho ostensivo. Poderia ter polícia esta-dual unificada para delitos mais graves, que não envolvam crime organizado. E pode ter uma polícia pequena só para crime organizado, como se fosse uma Polícia Federal do Estado. São muitas possibilidades.
Como fica a União?
LUIZ EDUARDO SOARES -
Poderia ter atuação destacada na educação policial. No Rio, para ingressar na UPP o policial é treinado em um mês. Em outros Estados, são oito meses. O Brasil é uma babel. Tem algo errado. Tem que ter regras básicas universais. Na polícia, a bagunça, a desordem e a irresponsabilidade nacional, consagradas nesse modelo, são de tal ordem que formamos policiais em um mês, que têm o mesmo título de outro profissional formado em um ano. É necessário que haja um Conselho Federal de Educação Policial, como existe Conselho Federal de Educação. E o Conselho tinha que estar subordinado ao Ministério da Educação, não no da Justiça.
Os policiais foram consultados sobre esses novos modelos?
LUIZ EDUARDO SOARES -
Fiz uma pesquisa sobre opinião policial, junto com os cientistas sociais Silvia Ramos e Marcos Rolim. Ouvimos 64.120 profissionais da segurança pública no Brasil todo. Policiais, guardas municipais, agentes penitenciários. A massa policial está insatisfeita, se sente alvo de discriminação, de preconceito, recebe salários indignos, se sente abusada, sente os direitos humanos desrespeitados. Mais de 70% de todas as polícias consideram esse modelo policial completamente equivocado, um obstáculo à eficiência. E os militares se sentem agredidos, humilhados, maltratados pelos oficiais. Acham que os regimentos disciplinares são inconstitucionais. Pode-se prender sem que haja direito à defesa, até por um coturno sujo!
Mas isso não ajuda a manter a disciplina?
LUIZ EDUARDO SOARES -
De jeito nenhum. Mesmo com toda essa arbitrariedade não se evita a corrupção e a brutalidade. Estamos no pior dos mundos: policiais maltratados, mal pagos, se sentindo desrespeitados, não funcionando bem. E a população se sentindo mal com essa problemática toda. E os números são absurdos: 50 mil homicídios dolosos por ano e, desses, em média, apenas 8% de casos desvendados com sucesso. Ou seja: 92% dos crimes mais graves não são nem sequer investigados.
É o país da impunidade?
LUIZ EDUARDO SOARES -
Somente em relação ao homicídio doloso. Estamos longe de ser o país da impunidade. O Brasil tem a quarta população carcerária do mundo. Temos 550 mil presos, eram 140 mil em 1995.
O que mais é necessário para democratizar a segurança pública?
LUIZ EDUARDO SOARES -
Precisamos de uma polícia de ciclo completo, que faça o patrulhamento ostensivo e o trabalho investigativo. Hoje temos duas polícias (civil e militar), e cada uma faz metade do serviço. Nosso modelo policial é uma invenção brasileira que não deu certo. Até porque quando você vai à rua só para prender no flagrante, talvez esteja perdendo o mais importante. Pega o peixe pequeno e perde o tubarão. Tem que ter integração. O policiamento ostensivo e a investigação se complementam.
O que mais é importante?
LUIZ EDUARDO SOARES -
É fundamental o estabelecimento de carreira única. Em qualquer polícia do mundo, se você entra na porteira pode vir a comandar a instituição, menos no Brasil. Hoje temos nas instituições estaduais quatro polícias de verdade. Na PM são os praças e oficiais. Na civil, delegados e agentes. São mundos à parte. Você nunca vai ascender, mesmo que faça o melhor trabalho do mundo, sendo praça. Mas para quem entra na Escola de Oficiais, o céu é o limite. Isso gera animosidades internas. Isso separa, gera hostilidade. E esse modelo tem que acabar na polícia. Isso é o pleito da massa policial.
O sr. foi secretário de Segurança e não fez as reformas. Por quê?
LUIZ EDUARDO SOARES -
Por causa da camisa de força constitucional. Não podíamos mudar as polícias. Mas dentro dos arranjos possíveis fizemos o projeto das Delegacias Legais, que é uma das únicas políticas públicas do Brasil a atravessar governos de adversários políticos. São 15 anos desse projeto, apesar da resistência monstruosa que enfrentei. Fui demitido pelo (Anthony) Garotinho porque entrei em confronto com a banda podre da polícia. Após minha queda, policiais festejavam e o novo chefe de polícia dizia: agora estamos livres para trabalhar. Foi uma explosão de autos de resistência.
O crescimento do PCC se deve ao modelo policial vigente?
LUIZ EDUARDO SOARES -
Acho que a resistência do governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) em enfrentar a brutalidade letal da polícia, sua dificuldade em enfrentar a banda podre, de confrontar a máquina de morte, com a bênção de setores da Justiça e do Ministério Público, está no coração da dinâmica terrível de ascensão do PCC. Durante os primeiros anos, o PCC foi um instrumento de defesa dos presos, de organização que falava em nome da legalidade que era desrespeitada pelo Estado. Depois se dissociou das finalidades iniciais. Como já existia como máquina, poderia servir a outros propósitos, inclusive criminais. E foi o que começou a acontecer. O PCC deixou de ser instrumento de defesa para ser de ataque. Aí eles começaram a funcionar como uma organização criminosa.
FONTE - ISTOÉ
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
ES- AGEM-PMBM entra com ação para impedir que motoristas sem curso de condução de veículo de emergência dirijam viaturas
Uma iniciativa da jovem Associação Geral dos Policiais Militares do Estado do Espírito Santo - AGEM-PMBM vai dar o que falar no meio policial de todo o Brasil.
Trata-se de uma ação que a Associação de classe entrou contra o Governo do Estado do Espírito Santo questionando o fato dos policiais e bombeiros militares dirigirem viaturas de forma irregular, sem o curso específico de condução de veículo de emergência conforme estipula o art. 145 do Código Brasileiro de Transito.
"Sou motorista há anos na PM e nunca fiz nenhum curso de condução de veículo de emergência. E isso é um absurdo. Cobramos a aplicação da Lei mas nós mesmo não a respeitamos. Outra coisa, se eu bater a VTR terei de pagar do meu próprio bolso. Isso só acontece na PM. Pergunte se em outro órgão ou repartição do governo isso acontece? Não temos nenhuma gratificação de motorista. Qual o incentivo que temos pra dirigir viaturas para o Estado? Nenhum." - Disse um policial militar que não quis se identificar.
"É uma ação pioneira que outras associações não tiveram e não têm coragem de encabeçar. Nossa categoria tem sofrido com a defasagem salarial e com o descaso deste governo e ninguém diz nada. Esta é uma ação que mostra que nossa associação está disposta a lutar com os meios judiciais para amenizar o sofrimento dos nossos associados." Comentou um diretor que preferiu também não se identificar.
Vejam os pedidos da ação:
"...
b) conceder inaudita altera pars a presente medida Tutela Antecipada, em face da relevância do pedido, a fim de determinar que:
I - seja impedido que os militares estaduais da PMES e do BMES que não preencham os requisitos previstos no art. 145 do CTB realizem atividade de condução de veículo de emergência, sob pena de aplicação de multa diária após a concessão da medida pretendida na forma de liminar,
II - seja providenciado a imediata realização de curso especializado e de curso de treinamento de prática veicular em situação de risco, nos termos da normatização do CONTRAN, sob pena de aplicação de multa diária após a concessão da medida pretendida na forma de liminar,
III – cesse qualquer cobrança a militares estaduais por danos causados ao erário e a terceiros em decorrência da imposição/autorização do Estado de fazer com que militares sem a capacidade técnica, que não possuam os requisitos legais, conduzam viaturas;
c) após a concessão da medida pretendida na forma de liminar, inaudita altera pars, requer a citação do Requerido, na pessoa de seu representante legal, no endereço declinado inicialmente, para que conteste e acompanhe, querendo, o presente pedido, até final decisão, sob pena de revelia e confissão, em conformidade com o art. 285, in fine, do Código de Processo Civil;
d) com a resposta ou sem, requer a total procedência do pedido, condenando-se a Requerida ao pagamento das custas do processo, honorários advocatícios e demais combinações legais;
e) condenar o requerido a devolução de qualquer valor pago por militar a título de conserto/reparo de viatura por acidente automobilístico, a título de reposição de erário por acidente automobilístico envolvendo viatura ou a titulo de indenização a terceiros decorrente de acidente envolvendo viatura se o militar não possuía ao tempo do acidente os devidos requisitos legais para conduzir um veiculo de emergência;
..."
Vamos aguardar o resultado da justiça esperando que haja imparcialidade no julgamento da mesma.
Fonte: pec300.com
Leia mais: http://www.agem-pmbm.org/news/es-agem-pmbm-entra-com-a%c3%a7%c3%a3o-para-impedir-que-motoristas-sem-curso-de-condu%c3%a7%c3%a3o-de-veiculo-de-emerg%c3%aancia-dirijam-viaturas/
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sexta-feira, 13 de setembro de 2013
Desabafo de um soldado
Policial Militar com orgulho, soldado, com dupla e às vezes tripla jornada de trabalho para sustentar com dignidade minha família, injuriado fui coagido hoje pelo meu oficial a pedir para minha esposa, grávida do nosso segundo filho, minha mãe e minhas irmãs aderirem ao movimento do bate panelas na frente da secretaria de segurança pública na quinta-feira para que os “sangue azul” tenham ainda mais aumento e se distanciem cada vez mais de nós, os praças. Manda a mãe dele pra ver se ela vai. A dondoca da mulher dele idem.
Passou da hora dos soldados, cabos e sargentos deixarem de ser capachos do oficialato que nos utilizam como massa de manobra para atacar seus inimigos que não são os nossos. Pensam neles, agem para eles e nos tratam como lixos. Recebemos tratamento pior que os cachorros e os cavalos. Somos do baixo clero e nunca teremos deles a menor consideração ou respeito. Seres apequenados e egoístas de nascença.
Eu cansei. Não aceito mais ganhar menos de 10% do salário de um bando de coronéis que não prestam para nada, a não ser pensar nas maldades que farão conosco, como poderão lucrar com a nossa mão de obra (ganham até com nossos bicos), quantos dias de cadeia vou puxar se ousar desafiar qualquer um deles falando a verdade ou me recusando a servir de motorista particular, entregador de mimos para suas namoradas, office boy fardado, acompanhante da esposa , das filhas, da sogra, do cachorro e etc.
Ficar em pé durante horas do lado de fora do restaurante tomando chuva, passando frio e fome enquanto eles se fartam acompanhados de outros arrogantes, bebendo e comendo do bom e do melhor porque até dentro do Batalhão tem rancho para os plebeus e a comida é separada. Não podemos permanecer sentados em recinto onde esteja um oficial, mesmo que seja um moleque recém saído do Barro Branco porque já é mais que qualquer praça velho que tem que lhe ceder o lugar, pedir permissão até pra peidar. Vem com lavagem mental de fábrica porque são todos tontos iguais.
Isso não é vida. Isso é humilhação demais . Agora estão nos usando para conseguir atingir os delegados, os tiras, o capeta. Eles são assim mesmo. Tem uns filhos da puta na civil, mas tem aqueles que são melhores que os oficiais para arredondar o bagulho quando dá errado. Os boina azul vão pra prender e os majura pelo menos pra mim, sempre trataram com educação e acertaram pro meu lado.
Tem oficial empregando praça e ganhando com isso. Enquanto a gente trabalha de domingo a domingo, sendo chamado de coxinha porque não tem dinheiro nem pra comprar um pão na padaria, eles engordam suas contas bancárias nas custas dos trouxas. Não vi meu primeiro filho crescer porque saio de um inferno pro outro. Bico de segurança a noite toda, estudando pra ser alguma coisa e pegando trampo na hora que mandam porque sou honesto e estou sendo escravizado pelo oficial que não vai com a minha cara e pega no meu pé desde o dia que soube que estudo pra sair dessa merda que é a Polícia Militar e que quero ir pra civil que eles querem acabar. Eu sei porque fui motorista de um filho da puta desses e não sou surdo mas se falo morro ou vou preso.
Pensei que era só comigo mas é usual e já se enraizou na cultura militaresca. Praça é praça e oficial é oficial que aliás não tem qualquer serventia. Nada que o nosso sargento não saiba e possa fazer custando menos da metade. Se o governador for um pouco inteligente, investe na gente que trabalha, vai pra rua, toca tiro com vagabundo e se mata um, ferrou. PROER e as vezes cadeia. E os sangue azul faz o que? Nada porque só sabem puxar saco, dar tapinha nas costas e preparar o punham para enterrar nas costas de quem não concorda com eles.
Senhor governador Geraldo Alkimin. Aposte nos praças e mande esses coronéis de bosta e esses oficiais de merda andar. Não tem precisão deles, garanto para o senhor. Eles não servem pra nada além de ferrar soldado, cabo e sargento e pensar na boa vida deles. E não duvide Vossa Exa. que estão arrumando sua cama. Se V. Exa ceder agora nunca mais controla . Vai por mim.
Se V.Exa for um pouco só inteligente já deve ter percebido a manobra deles, portanto, só vai se ferrar se deixar. Se eles conseguirem dobrar seus joelhos, o senhor já era. Não que eu goste do seu governo ou de sua pessoa. Muito ao contrário. Eu não gosto e acredito que nenhum policia goste, mas gosto menos de ser trouxa e feito de massa de manobra de lixo com sangue azul porque o meu é vermelho feito meus pés que ainda estão cheios de barro da última novidade que caiu no meu colo. Vê se nos deles tem barro. Tem nada. Tem os bolsos cheios isso tem.
Deixa de ser trouxa soldado, cabo e sargento. Não precisamos deles pra nada. Nem atirar sabem com algumas exceções. Viraram já faz tempo, marajás com salários de fazer inveja a qualquer juiz porque ganham comida boa, moradia, ordenança, mordomia, e um bando de palhaços para mandar. Em mim vão mandar só mais um pouco porque vou embora dessa merda e nunca mais volto, se Deus quiser. Que fique pros idiotas que aceitam a humilhação e se satisfazem com os restos e sobras nojentas dessa raça maldita . Pra mim não. FUI (Flit Paralisante)
Fonte: Policial BR
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domingo, 8 de setembro de 2013
GOVERNO JÁ TEM PROPOSTA CONCLUÍDA
Aconteceu na manhã desta quinta-feira (05/09), reunião das Entidades de Classe da PM e BM (ASSES, ACS e ABMES), com a presença das seguintes autoridades: Secretário de Gestão e Recursos Humanos (SEGER), Dr. Aminthas Loureiro Júnior, Subsecretário da SEGER, Dr. Charles Dias de Almeida, Secretário de Segurança (SESP), Dr. André de Albuquerque Garcia, Comandante Geral da PMES, Cel PM Edmilson dos Santos, Comandante Geral do CBMES, Cel BM Edmilton Ribeiro Aguiar Junior, além dos membros do grupo de estudos criado pelo governo para o realinhamento salarial: Cel PM Guedes, Ten Cel PM Basset e Ten Cel BM Samuel, com a finalidade de informar às Entidades de Classes sobre o andamento dos estudos referentes à proposta de realinhamento salarial encaminhada pelas Entidades.
Na oportunidade, a SEGER informou que os estudos já estão concluídos e que atendem a todos os militares estaduais da ativa, reserva e pensionistas, proposta esta já apresentada e analisada pelos Comandantes das corporações, faltando apenas aprovação final no Comitê Gestor, que é formado por 07 (sete) Secretários de Estado, com reunião prevista para o próximo dia 12 de setembro de 2013, sendo este o motivo da não apresentação em definitivo da nova tabela.
No decorrer da reunião, os representantes de classe indagaram ao SEGER se existe a intenção do Governo em enviar a Assembleia Legislativa do ES, projetos de forma fracionada, ou seja, primeiro o projeto dos oficiais e depois o projeto dos praças, sendo respondido pelo Secretário que o Governo enviará um único Projeto de Lei.
A proposta final será apresentada às Entidades de Classe logo após a reunião do Comitê Gestor prevista para o dia 12 de setembro de 2013, onde conheceremos o conteúdo da proposta e então a levaremos ao conhecimento dos nossos associados.
Fonte: ACSPMBMES |
sexta-feira, 30 de agosto de 2013
Polícia Militar publica lista de antiguidade dos cabos em caráter provisório
Atendendo ao que preceitua a LC 467/2008, o comando da PMES publica nos Anexos I e ll do BECG (segue abaixo), lista EM ORDEM ALFABÉTICA, com os dados constantes no SGPM, dos Cabos QPMP-C e QPMP-M, incluindo os que estão freqüentando o CHS 2013, com alterações ATÉ A DATA DE “21 DE AGOSTO DE 2013”. As eventuais discordâncias aos referidos dados deverão ser reclamadas junto às P-1 de suas respectivas OME, no período de 26 DE AGOSTO a 30 DE SETEMBRO DE 2013, para possibilitar pertinente análise e respectivas correções. A P-1 deverá observar, para lançamento de cursos, a portaria 576-R, de 20.12.2012, publicada no BGPM 050/2012.
Independente do comparecimento dos Cabos nas OME, a P-1 deverá verificar as FICHAS INDIVIDUAIS DE TODOS OS CABOS e, junto ao sistema no endereço digital http://palestina/sgpm/ no programa Mozilla Firefox, conferir e, caso necessário, lançar as alterações de Cursos (ensino médio, superior, pós-graduação e de interesse da PMES), registrados e publicados em Aditamento DEIP. Para alteração de Comportamento, Punições (quantidade e tipo), Medalha e Saúde dos Cabos, a P-1 deverá entrar em contato com a DP-6, via “Pandion”, e-mail: habilitaçã o.dp6@pm.es.gov.br , ou pelo tel: 3636-8818.
Esta lista está sendo publicada em caráter PROVISÓRIO, podendo ocorrer mudanças até a data de 30 de setembro de 2013, data de corte das alterações para o CHS-2014 (art 13, § 4º, inciso I da LC nº 467/2008).
Clique AQUI e confira a lista:
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quinta-feira, 15 de agosto de 2013
POLICIA: JUSTIÇA RECONHECE DIREITO DE APOSENTADORIA COM 25 ANOS DE SERVIÇO PARA POLICIAIS MILITARES E CIVIS
Poder Judiciário reconhece que os Policiais Civis e Militares tem DIREITO à Aposentadoria Especial por Periculosidade!” Todos os policiais civis e militares conquistaram o Direito de se aposentarem, com proventos integrais, aos 25 anos de serviços prestados à Polícia do Estado Paulista.
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Esse é o novo entendimento do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal de Justiça de São Paulo, uma vez que, esses julgados foram emitidos em sede de Mandado de Injunção, que é uma ação movida quando não existe uma Lei que regulamente e/ou trate adequadamente de algum Direito Constitucional.
De fato, a Aposentadoria Especial por periculosidade está prevista no Artigo 40, § 4º da Constituição Federal de 1988 e até o presente momento, o Governo do Estado de São Paulo nada fez para editar Lei que regulamente referido Direito.
Destarte, os Desembargadores reconheceram que a atividade dos Policiais Civis e Militares é de fato de alta periculosidade, e por essa razão, determinaram que a Lei aplicável ao Regime Geral de Previdência
– Lei nº 8213 – seja agora aplicável aos Policiais Civis e Militares, em face da demora do legislador paulista. E, em função desse entendimento, os Tribunais estão demonstram cada vez mais, uma NOVA visão, no sentido de que cabe ao Poder Judiciário legislar positivamente, em face da demora do Poder Legislativo, considerando o interesse público.
Em nossa opinião, entendemos que o melhor de tudo isso é que o Poder Judiciário reconheceu que tais decisões são “erga omnes”, ou seja, se aplicam a todos os demais integrantes da carreira Policial – policiais civis ou policiais militares -, e tal aposentadoria DEVE SER requerida via administrativa ao órgão competente de sua corporação, requerimento esse que não pode e/ou não deve ser negado, pois, do contrário, haverá flagrante desobediência à ordem judicial – via mandamental – já transitada em julgado.
É importante salientar que, em matéria idêntica a presente “questão” ora apresentada, o Desembargador Renato Nalini, relator do MANDADO DE INJUNÇÃO N° 990.10.037533-4, em seu VOTO N° 16.749, manifestou se da seguinte forma:
VOTO N° 16.749 – MANDADO DE INJUNÇÃO N° 990.10.037533-4-SÃO PAULO
MANDADO DE INJUNÇÃO. APOSENTADORIA ESPECIAL. Questão já decidida nos M.I. nºs. 168.151.0/5-00, 168.146-0/2-00, 168.143-0/9-00 do Colendo Órgão Especial do TJSP, à luz do M.I. nº. 721/DF julgado pelo S.T.F. efeito “erga omnes” , que poupa a qualquer servidor interessado de recorrer novamente ao Poder Judiciário…
Ao assegurar direitos proclamados na ordem fundante o Poder Judiciário não invade a esfera de atribuições das demais funções estatais nem exerce ativismo judicial desconforme com a sua vocação de concretizar as promessas do constituinte. A missão do Judiciário é, exatamente, consolidar o Estado de Direito que não é senão a sociedade estruturada e estritamente submetida à vontade da Constituição.
Vistos etc…
(…) Todo o funcionalismo bandeirante pode se beneficiar da decisão então proferida, pois este Colendo Órgão Especial perfilhou a mais lúcida e abrangente orientação de que ao Judiciário incumbe fazer valer a Constituição e não apenas declarar a mora do Poder omisso.
A Constituição vale e incumbe ao Poder Judiciário cumprir as promessas do constituinte. Por isso é que ele é cognominado de guardião das promessas, na linha do pensamento do jurista e magistrado francês Antoine Garapon, em boa hora seguido pela hermenêutica atual.
Nada se criou, pois foi o constituinte que disciplinou a aposentadoria especial a que o servidor tem direito. Por isso é que o efeito “erga omnes” que deflui do julgamento mencionado e acompanhado em outros precedentes, conforme assinala a Ilustrada Procuradoria Geral de Justiça, já estendeu ao impetrante o Direito que pretendeu obter por esta injunção.
Não desconhece o Governo o teor dessas decisões exaradas no âmbito do Colendo Órgão Especial e, portanto, qualquer servidor interessado poderá delas se valer, bastando recorrer administrativamente ao seu superior hierárquico. Desnecessária a invocação ao Judiciário, para reiterar aquilo que já foi superiormente deliberado pelo colegiado a quem compete decidir sobre as omissões eventualmente atribuídas aos demais Poderes.
(…)
Nesse mesmo diapasão, o Desembargador Artur Marques, relator do MANDADO DE INJUNÇÃO N° 990.10.040639-6, em seu VOTO N° 19.340, reitera posicionamento já pacificado em nossos tribunais no sentido de:
VOTO N° 19.340 – MANDADO DE INJUNÇÃO N° 990.10.040639-6
MANDADO DE INJUNÇÃO – REGULAMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA ESPECIAL - SERVIDOR PÚBLICO ESTADUAL – POLICIAL MILITAR – DIREITO RECONHECIDO COM EFEITO ‘ERGA OMNES’ EM IMPETRAÇÃO PRECEDENTE – IMPETRAÇÃO PREJUDICADA.
“O policial militar é, para todos os efeitos, servidor público estadual (cf. Artigo 42 da CF) e ainda seu regime estatutário seja diferenciado em relação aos servidores civis, submete-se, à míngua de regramento especifico, aos mesmos critérios para Aposentadoria Especial estabelecidos ao Servidor Civil, como se infere do Artigo 138, § 2º c/c Artigo 126, § 4º, ambos da Constituição Bandeirante. Nesse caso, como já houve reconhecimento do direito de o servidor público estadual, civil ou militar, obter a contagem de tempo de serviço especial na razão direta da periculosidade a que se encontra exposto (cf. Artigo 57, da Lei nº 8213/91), resta que apresente impetração encontra-se irremediavelmente prejudicada”.
1. Trata-se de mandado de injunção impetrado por (…) em face do GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO.
Consta da vestibular que o impetrante ingressou na Polícia Militar do Estado de São Paulo em 07 de novembro de 1986. Afirma fazer jus ao adicional de insalubridade à razão de 40% por força da Lei Complementar n° 432/85. Nada obstante, por força do que dispõe o Decreto n° 260/70, tem reconhecido direito de ser reformado apenas após o cumprimento de 30 anos de serviço. Assevera que a regra geral para a aposentadoria especial, estabelecida no Decreto n° 4.827/03, prevê aposentadoria especial aos 25 anos. Afirma que a aposentadoria especial do policial militar não se encontra regulada pelos efeitos provenientes do Mandado de Injunção n° 168.151-0/8-00 porque, ao reverso dos demais servidores públicos estatutários, encontra-se submetido a Regime Militar. Nesse caso, entende que o Chefe do Executivo encontra-se em mora quanto à proposta de Lei Complementar regulamentando a matéria concernente a “aposentadoria especial” do “servidor público militar”.
(…) É o relatório.
Ocorre que, respeitado o entendimento expressado pelo digno subscritor da peça inaugural, o policial militar é, para todos os efeitos, Servidor Público Estadual (cf. Artigo 42 da CF) e ainda que seu Regime Estatutário seja diferenciado em relação aos servidores civis, submete-se, à míngua de regramento específico, aos mesmos critérios para “aposentadoria especial” estabelecidos ao servidor civil, como se infere do Artigo 138, § 2° c/c Artigo 126, § 4°, ambos da Constituição Bandeirante.
Note-se, ademais, que a pretensão inicial, embora alicerçada no Regulamento da Previdência Social, tem como fundamento jurídico a Lei n° 8213/91, em especial o Artigo 57, posto se tratar da Norma Jurídica regulamentada pelo decreto presidencial.
Nesse caso, como já houve reconhecimento do direito de o servidor público estadual, civil ou militar, obter a contagem de tempo de serviço especial na razão direta da periculosidade a que se encontra exposto…
(…)
Nesse sentido, temos ainda outra expectativa, é a de ver as instituições viabilizarem o mais rápido possível à concretização de tais Direitos, de forma que o Policial Civil e Militar, rapidamente, concretize seu Direito de requerer a “aposentadoria especial”, sem qualquer óbice administrativo.
Reiteramos que, é de nossa opinião ver os policiais civis e militares festejarem está mais NOVA conquista, após muita luta – vale lembrar: desde a publicação da Constituição Federal de 1988 e da Constituição Bandeirante de 1989.
Com isso, vê-se que o Poder Judiciário concedeu, reconhecendo e valorizou a carreira policial, que de fato, é altamente periculosa e insalubre.
Estamos nesse momento, parabenizando todos os policiais civis e militares que já possuem 25 anos de serviços prestados a sociedade, pois poderão exercer imediatamente o Direito a “aposentadoria especial”, com todas as vantagens e benefícios decorrentes, após 25 anos de serviços prestados. E mais, saiba que já estamos regulamentando e oficializando requerimentos a todos os policiais civis e militares que já possuem tempo suficiente para sua aposentação.
Dr Jeferson Camillo
Advogado
PS. Outras informações podem ser obtidas na Secretaria da ASBRA, sito à Rua João Teodoro, 338, Luz, São Paulo-SP, CEP. 01.105-000 – Tel. (11) 3313-4700 – 3313-5264 – 3313-6231
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
Rita Lee terá de indenizar policias militares
A cantora terá de pagar R$ 7.300 reais para cada um dos 33 policiais militares que ofendeu, durante show em Aracaju, em janeiro de 2012. Decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) é final e não cabe recurso
A cantora Rita Lee foi condenada a indenizar os policiais militares que xingou durante show no festival Verão Sergipe, em Aracaju, em janeiro no ano passado. Na ocasião, a cantora interrompeu a apresentação e passou a insultar os policiais que buscavam drogas entre o público. Após a confusão, ela chegou a ser detida. A decisão, expedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na última terça-feira, é final. Não cabe mais recurso. A cantora tem prazo de 15 dias para fazer o pagamento — caso contrário, cabe multa de 10% sobre o valor.
Em abril, Rita havia sido condenada a pagar indenização por danos morais a cada PM no valor de R$ 5.000 reais — com os valores corrigidos, a indenização a cada um dos 33 policiais militares será, agora, de R$ 7.300 reais para cada policial, de acordo com notícia do site sergipano Infonet reproduzida pelo blog da Associação dos Militares do Estado de Sergipe.
No Twitter, a cantora expressou insatisfação com a decisão. “A truculência que houve no meu show foi igual a das recentes manifestaçães. Me posicionei ao lado do público. Para safado, nenhum tostão furado. Apenas minha silenciosa manifestação anti vocês-sabem-quem. Quando a ditadura é um fato, a resistência é um dever”, escreveu, sem perder a virulência que deu no que deu.
Relembre o caso – Em 29 de janeiro de 2012, Rita Lee foi detida pela Polícia Militar de Aracaju, Sergipe, durante o festival Verão Sergipe — show que deveria marcar sua despedida dos palcos, o que acabou não se concretizando, já que ela continuou se apresentando nos meses seguintes. Ela se dizia contra a presença de policiais militares, que revistavam os espectadores do show para reprimir o uso de drogas, e ironizou os soldados, pedindo para eles se acalmarem e “fumarem um baseadinho”. Como os policias não se retiraram do local, a roqueira, de 67 anos, passou a agredi-los verbalmente, usando palavras como “cachorros” e “cavalos”.
Os policias cessaram a busca. No entanto, cercaram Rita ao final do show e a convidaram a comparecer à delegacia, sob acusação de fazer apologia ao crime. A cantora se recusou a acompanhar os oficiais e também não quis falar com os jornalistas, que a esperavam para uma entrevista coletiva. Ela, então, foi processada por apologia ao crime e desacato a autoridade. (Revista Veja).
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sexta-feira, 5 de julho de 2013
ES: 3ª Ponte vira praça de guerra
Após ataque às cabines do pedágio, manifestantes foram acuados pelo Batalhão de Missões Especiais (BME), que usou e abusou da violência
A sétima edição da série de protestos que vêm tomando as ruas de Vitória desde o último dia 17 acabou em lamentáveis cenas de violência. Após os manifestantes tentarem depredar as cabines da praça de pedágio da Terceira Ponte, o Batalhão de Missões Especiais (BME) entrou em ação para proteger os patrimônio da concessionária Rodosol, um dos principais alvos dos protestos.
Com o efetivo reforçado, a polícia se preparou para o enfrentamento. A estratégia era mostrar aos manifestantes que não seriam tolerados ataques às cabines do pedágio da Rodosol. No momento em que os primeiros grupos tentavam retirar os tapumes que protegiam as cabines, as tropas do BME agiram. Policiais pareciam brotar de todos os lados, lançando bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral sobre os manifestantes. A ação truculenta transformou os acessos à Terceira Ponte numa verdadeira praça de guerra.
O último recurso dos manifestantes era fugir dos efeitos do gás lacrimogêneo. Quem correu em direção a Vitória acabou caindo numa espécie de "arapuca" armada pela polícia. As pessoas eram tocadas como gados em direção à praça do Cauê. A ação de varredura da polícia prosseguiu mesmo após a dispersão dos manifestantes.
Nas imediações da rua Duckla de Aguiar, quatro policiais tentaram retirar à força o equipamento do cinegrafista Apoena Medeiros, da Agência Porã/Século Diário, que teve que se abraçar à câmera para preservá-la. Depois da ação truculenta, os policiais acabaram liberando o fotógrafo, que tentava convencê-los o tempo todo que estava trabalhando.
Se a situação de quem correu em direção a Vitória foi de pânico, os manifestantes que tentaram voltar para Vila Velha pela Terceira Ponte viveram uma verdadeira noite de terror. O BME foi para cima dos manifestantes com violência. Apesar do grupo não ser superior a 150 pessoas e não demonstrar resistência, a polícia fazia uso indiscriminado de bombas de gás lacrimogêneo.
O clima de terror da travessia para Vila Velha se tornou ainda mais assustador quando a iluminação do vão central da ponte foi apagada e os policiais se aproximaram dos manifestantes.
Se a estratégia da polícia era traumatizar os manifestantes, conseguiu. Muitas pessoas saíram do protesto assustadas com a truculência da polícia. A ação violenta recebeu o apoio prévio do governo do Estado, que desde o protesto da última sexta (28) vem alertando a população "de bem" para ficar fora das ruas. Na declarações públicas, o governador Renato Casagrande tem afirmado que "aquele movimento bonito" - referindo-se à marcha dos 100 mil (20/07) - está dando lugar à ação irresponsável de vândalos e baderneiros, que estão dando um caráter negativo aos protestos.
Esse discurso, na semana passada, recebeu apoio do Ministério Público Estadual e do Tribunal de Justiça, que assinaram nota conjunta com o governo repudiando os atos de vandalismo e prevenindo que a polícia agiria com rigor para manter a ordem.
Foi o que aconteceu nesta noite. Quem esteve nas ruas percebeu que a polícia estava "liberada" para adotar uma postura mais violenta. Tolerância zero: menos negociação e mais ação.
Como nos outros seis protestos, o desta quinta-feira começou pacificamente. Um grupo pequeno (cerca de 300 pessoas) saiu da Ufes e seguiu em marcha pela Reta da Penha. Ao longo do trajeto rumo à Terceira Ponte - onde os manifestantes se juntariam ao grupo vindo de Vila Velha -, mais pessoas foram engrossando a marcha. A PM estimava três mil no protesto, mas a Secretaria de Segurança falava em 1,2 mil pessoas.
Havia uma polêmica sobre a trajeto a seguir a partir do encontro na praça do pedágio da Terceira Ponte. Um grupo queria seguir para a Assembleia enquanto outro insistia em permanecer na praça do pedágio. Os manifestantes acabaram se dividindo, mas no final, todos se juntaram em frente à Assembleia num ato de solidariedade ao grupo que ocupa o prédio do legislativo estadual desde a noite da última terça-feira (2), quando o deputado Gildevan Fernandes (PV) pediu vista e obstruiu a votação do projeto de decreto legislativo do deputado Euclério Sampaio (PDT), que propõe o fim da cobrança do pedágio na Terceira Ponte.
Depois de manifestar e receber apoio do grupo que ocupa a Assembleia, o protesto retornou à praça do pedágio, quando teve início o confronto com a polícia.
Até às 23 horas desta quinta, a Sesp informou que pelo menos três pessoas foram detidas. Os motivos das prisões não foram divulgados.
A tráfego de veículos na Terceira Ponte foi liberado por volta das 22h30. As cancelas estão liberadas. Segundo a Sesp, pelo menos cinco cabines foram danificadas.
FONTE - SÉCULO DIÁRIO
sexta-feira, 21 de junho de 2013
A MAIOR MANIFESTAÇÃO PÚBLICA DA HISTÓRIA DO ESPÍRITO SANTO, PM, PC E BM JUNTOS!
Ao som do hino nacional e aos gritos de “vem pra rua”, integrantes da Polícia Militar, Polícia Civil e Bombeiro Militar se juntaram no meio de mais de 100 mil pessoas para participarem da maior manifestação realizada pelo povo capixaba, nesta quinta-feira, 20 de junho de 2013, em Vitória.
A passeata contou com a presença de representantes políticos, entidades sindicais, movimentos estudantis e sociedade civil organizada. A manifestação foi realizada em várias cidades do Brasil. Entre as reivindicações estão à tarifa zero, o fim da corrupção, maiores investimentos na educação, segurança e na saúde.
Fonte: ACSPMBMES
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terça-feira, 28 de maio de 2013
Batalhão de Trânsito com problemas.
A Comissão de Segurança da ALES, os Deputados Da Vitoria, Gilsinho Lopes e Luiz Durão foram ao Batalhão para ver as instalações que estão sem condições.
Fonte: Jornal ESHOJEquinta-feira, 2 de maio de 2013
ES: Policial ganha indenização de R$ 10 mil por ter sido impedido de participar da formatura do CHC
A Justiça condenou o Estado do Espírito Santo a pagar uma indenização por danos morais de R$ 10 mil ao cabo da Polícia Militar Amarildo Barbosa da Silva por conta de uma falha banal da Administração Militar. O Comando Geral da PM impediu que Amarildo participasse da formatura, depois de realizar o Curso de Habilitação para Cabos (CHC), por causa de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD), em que ele foi absolutamente inocente.
O PAD foi aberto porque o então soldado Amarildo “faltou” a uma escala especial de serviço quando estava lotado no 5º Batalhão da PM (Aracruz). Só que Amarildo não havia sido avisado por seus superiores que estava de escala.
O agora cabo Amarildo Barbosa da Silva pediu ajuda à Associação dos Militares da Reserva, Reformados, da Ativa da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros Militar e Pensionistas de Militares do Estado do Espírito Santo (Aspomires), da qual é associado, e o advogado Dalton Almeida Ribeiro, de um escritório de advocacia de Aracruz, entrou na Justiça em nome do militar com uma Ação Indenizatória. Na última terça-feira (23/04), o juiz Fábio Gomes e Gama Júnior, da Vara da Fazenda Pública Estadual, Municipal, Registro Público e Meio Ambiente de Aracruz, deu a sentença condenando o Estado.
Na sentença, o magistrado relata que Amarildo Barbosa foi submetido a um PAD em razão de ter faltado ao serviço no dia em que estava escalado. “Contudo, foi declarado inocente no PAD porque, em verdade, não foi comunicado que estava escalado naquele dia. Aduz ter sofrido abalo de ordem emocional, na medida em que, em virtude de ter respondido ao PAD, viu sobrestada sua promoção na carreira”, prossegue o juiz Fábio Gomes e Gama Júnior.
Citado na ação, o Estado do Espírito Santo apresentou contestação, mas “desinstruída de documentos, alegando, em síntese, inexistir dano moral reparável, pois a Administração Militar tem o poder-dever de instaurar Procedimento Administrativo objetivando apurar irregularidades. Portanto, a atuação da Administração pautou-se na lei, porquanto existiam indícios de faltas cometidas pelo autor.”
Ao fundamentar a sentença, o juiz Fábio Gomes e Gama Júnior afirma que a ação comporta julgamento antecipado, na medida em que as partes não desejaram produzir outras provas. Ele lembra que o militar Amarildo Barbosa objetivou a condenação do Estado ao pagamento de indenização por danos morais em razão da instauração de um PAD em que restou inocentado.
“Como regra – e neste ponto com razão o réu –, a simples deflagração de Processo Administrativo Disciplinar não induz à ocorrência de danos morais, já que a Administração tem o poder-dever de investigar as irregularidades imputadas a servidores que lhes são noticiadas”, reconhece o magistrado, para, em seguida, arrematar:
“Todavia, no presente caso, o demandante (cabo Amarildo) foi submetido a um PAD em razão de ‘faltar a ato de serviço’, mas restou comprovado ter a Administração Militar incorrido em falha banal, na medida em que não comunicou ao servidor que estava escalado para trabalhar naquele dia.”
Neste sentido, alerta o magistrado, deve ser conferido trecho do Relatório Complementar do PAD, subscrito pelo Oficial Militar e que Fábio Gama Júnior inseriu na sentença:
“(…) No que tange a determinação e sua divulgação em reunião, os resultados destas diligências mostram que na falta de um registro formal (como uma ata de reunião), não foi possível garantir indubitavelmente o conteúdo tratado e a presença do Acusado, porém é possível tratar como fato a falha na publicidade de tal determinação por parte da administração local (…)”.
O Relatório, frisou o magistrado na sentença, foi acolhido pelo Comandante do 5º BPM. “Desse modo, tivesse a Administração Militar agido com maior diligência, evitaria que o autor passasse pelo inegável constrangimento que é responder a um processo, seja administrativo, seja na esfera judicial. Há, no presente caso, dano moral a ser reparável”, encerra o juiz Fábio Gama Júnior ao citar outra decisão judicial sobre o mesmo tema e dar a sentença final:
“Portanto, considerando as circunstâncias do caso concreto, as condições econômicas da vítima e do causador do dano, até mesmo para evitar o enriquecimento ilícito de quaisquer das partes, tenho como justo e razoável arbitrar o valor de R$ 10 mil. À luz do exposto, JULGO PROCEDENTE o pedido para CONDENAR o Estado do Espírito Santo a pagar ao autor a quantia de R$ 10 mil a título de danos morais. Juros desde a data do evento danoso e atualização monetária a partir do arbitramento, tudo na forma do art. 1º-F, da Lei 9.494/97. Via de consequência, JULGO EXTINTO o feito, com resolução de mérito, nos termos do art. 269, I, do CPC. CONDENO, ainda, o réu ao pagamento dos honorários advocatícios, os quais fixo em R$ 1.200,00, nos termos do §4º, do art. 20, do CPC1. No caso, o trabalho do profissional da advocacia restou facilitado em razão do julgamento conforme o estado do processo”.
Fonte: Almança
domingo, 21 de abril de 2013
"Não sou herói, sou um sobrevivente", diz cabo que matou bandido e salvou policial
"Não me vejo como herói. Eu me vejo como um dos sobreviventes do local". A frase é do cabo Gilberto das Neves, 49 anos, policial militar que salvou a vida da terceira policial que atuava no mandado de prisão de Ednei Brito Pereira na Fazenda Roda D’Água, na localidade de Boleiras, na zona rural de Sooretama, Norte do Estado. Ednei - que era acusado de três homicídios - foi morto pelo policial militar durante a ação.
Durante a operação, os investigadores da Polícia Civil Leone José Pereira da Silva e José Nivaldo do Amaral foram executados pelo bandido ao darem voz de prisão e tentarem algemá-lo. "Do mesmo jeito que aconteceu com eles, poderia ter acontecido comigo. Podem morrer dez bandidos, mas a morte de um policial é uma perda enorme. Ninguém saiu vitorioso nessa situação", pondera.
O policial afirma ter agido de forma rápida - cerca de 1 minuto e meio após - , ao ouvir os disparos. Ele não havia percebido que, no momento em que atirou em Ednei, o bandido apontava uma arma para a cabeça de outra policial civil - que não está sendo identificada por questões de segurança. Ele só se deu conta da situação quando a arma do criminoso caiu no chão.
"Eu estava nos fundos da casa, dando uma assistência caso o cidadão tentasse fugir pelo matagal. Ouvi os tiros. No momento em que rodei a casa e vi o que estava acontecendo, eu nem cheguei a ver realmente que tinha outra policial. Só lembro que havia um infrator, e que eu precisava agir. Foi quando fiz os disparos", explica.
No meio da tragédia por acaso
O cabo da PM - que trabalha no policiamento em Linhares e mora em Sooretama - estava no sítio apenas visitando um amigo, que é proprietário do local. "Costumo ir com minha sogra dar uma assistência na colheita do café. Os policiais chegaram e perguntaram sobre esse indivíduo, onde ele poderia estar. Levei os policiais até a residência. O local é de difícil acesso para quem não conhece", explica.
Segundo o policial, os donos do sítio não sabiam dos crimes cometidos por Ednei, e há dez dias haviam contratado o homem para trabalhar na colheita do café. O PM afirmou que o criminoso seria demitido, por não apresentar a documentação necessária para assinar a carteira de trabalho. "Lá todo mundo assina a carteira, mas ele havia se negado a mostrar a documentação. Ele seria demitido na próxima segunda-feira (22)", afirma.
Consciência tranquila por salvar uma vida
O cabo da PM não titubeia ao dizer que não se arrepende do disparo. Tem a convicção de que salvou uma vida, que agiu para proteger os companheiros de polícia e também em legítima defesa.
"A gente tem um treinamento que é de proteção da vida. Um bandido quando vai praticar um crime, ele vai para roubar, matar ou morrer. Então a gente tem que se preparar. Ele não tinha nada a perder, nós temos que nos preparar para isso", pondera.
Mesmo estando de licença, Gilberto afirma que tem que exercer sua função como policial militar. "Policial Militar, mesmo de folga, ainda é um policial. Se omitirmos algum fato, responderemos por ele", explica.
Em 19 anos de PM, completados em junho, não foi a primeira vez que o cabo passou por essa situação. "Já atirei contra bandidos e também fui baleado no ombro. Na ocasião, se tratava de um menor de idade", conta.
Revolta é o sentimento geral
Após atirar em Ednei, Gilberto chamou o reforço para ir ao local prestar socorro e isolou a área. Segundo ele, a esposa de Ednei não sabia que ele tinha cometido assassinatos. "Ela disse que estava a pouco tempo com ele, e que não sabia muita coisa sobre a vida anterior dele", afirma.
Desde a tragédia, que vitimou os dois investigadores e também o bandido, o cabo da PM teve pouco contato com a policial civil que está viva graças à sua ação. A única coisa que ele sabia dizer é que ela estava muito abalada no local do crime.
Na manhã desta sexta- feira (19), ele compareceu ao velório dos investigadores e teve contato com as famílias. O clima, relata o cabo, é de revolta. "Os populares da cidade e os familiares estão indignados. Tanto os companheiros da Polícia Militar, quanto da Polícia Civil, também estão", afirma.
"Para mim ele é um herói", diz esposa
Após conceder entrevista ao portal GAZETA ONLINE, cabo Gilberto das Neves retornou para sua casa, em Sooretama. Abalado emocionalmente, por conta dos fatos, ele precisou ser medicado e está com febre. As informações são da esposa do PM, uma cabeleireira de 44 anos, que preferiu não ter o nome identificado.
"Ele está com febre de 40 graus. Dei um remédio e ele dormiu. Neves está muito abalado com tudo o que aconteceu. Ele me disse que jamais pensou um dia ver tamanha tragédia", conta a esposa.
A cabeleireira disse que o ato do marido de atirar em Ednei Britto Pereira, no momento em que ele se preparava para matar a terceira policial civil no local, foi visto como heroico pela população de Sooretama.
"Parece um coisa de Deus ele estar ali, naquele momento. Ele infelizmente não pode salvar os três, mas conseguiu salvar a policial no momento em ela que seria morta", pondera.
Orgulhosa do feito do marido, ela concorda com os vizinhos. "Eu tenho ele como herói. Foi um ato muito de bravura. Ele fez pelos colegas o que faria pela família dele. Aliás, a corporação toda é assim, como uma família para o Neves", disse.
A cabeleireira e o PM têm dois filhos - um menino de 13 anos, do primeiro relacionamento da mulher, e uma menina de 14 anos, de um casamento anterior do cabo Neves. "Nossos filhos só ficaram sabendo hoje por causa da repercussão no jornal. Meu marido explicou para eles depois, mas são muito crianças para entenderem o que aconteceu", diz.
A Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar e Bombeiros Militar do Espírito Santo também está de luto e lamenta o fato ocorrido com os amigos da nossa coirmã Polícia Civil e parabeniza ao Militar que agiu de forma heroica salvando a vida da policial.
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